"Lisboa Mulata" - Dead Combo

Depois de "Lusitânia Playboys", os Dead Combo embarcam num rumo que se distancia um pouco dos sons áridos do deserto. Desta vez, tornam Lisboa mestiça e puxam até si as raízes da influência africana. À primeira audição, "Lisboa Mulata" é mais lenha para a imensa fogueira criativa dos Dead Combo. Aqueles dois tipos ainda têm ideias para os manter bem posicionados no disputado pódio dos projectos mais singulares dos últimos anos.
"Lisboa Mulata" leva os Dead Combo de volta ao passado, dizem eles. Após uma série de experiências colectivas mais consistentes com a Royal Orquestra das Caveiras, Pedro Gonçalves e Tó Trips refugiam-se numa dialéctica criativa um pouco mais solitária. Marc Ribot andou por lá e ajudou à festa e Camané, em jeito spoken word, nas palavras de Sérgio Godinho, deu voz a um tema de "Lisboa Mulata".
Temas com títulos tão sugestivos como "Cachupa Man", "Blues da Tanga" ou "Marchinha do Santo António Descambado" dão ao quarto disco dos Dead Combo aquele toque de humor refinado, propriedade das duas personagens misteriosas que se refugiam nas ruelas de Lisboa. Tirando isso, este será mais um grande disco dos Dead Combo.

Hugo Amaral / o lado p