
Os gloriosos Smix Smox Smux saíram do bunker de Braga e estão aí para derrotar os exércitos capitalistas. Fiéis aos seus princípios, fazem do rock n‘roll sarcástico a sua principal arma. Segundo eles “não há substituto para a ira das multidões. O luto, a fome e a pobreza dão mais certeza aos canhões e num mundo de contradições, as ilusões podem sair caras”. Pinochet Guevara anda por aí! Fica o aviso.
“Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas” tem alguma analogia com a conjuntura que o país está a atravessar nos últimos tempos?
Sim, é uma provocação em relação ao momento político. A imagem que usámos na capa do disco é baseada na ideia da propaganda norte coreana. Arranjámos um poster com três coreanos parecidos connosco e ainda tivemos de apagar uma coreana que estava lá e ficou feito! (risos) No fundo, o objectivo é provocar e cada um tirará a sua mensagem.
Há algum assunto que gostariam de abordar e ainda não o fizeram?
É provável! Deve haver mas ainda não pensámos muito nisso! (risos)
O Adolfo Luxúria Canibal é um dos convidados do disco. Como surgiu o convite?
Nós já conhecemos o Adolfo porque ensaiamos ao lado dos Mão Morta e é nosso conterrâneo. O tema em que ele participa saiu um pouco por acaso mas a partir do momento em que fizemos o refrão pensámos a música para o ter lá. Fizemos o convite e ele aceitou.
Mas esse tema foi adaptado à personagem do Adolfo Luxúria Canibal, o que acaba por desviá-la um pouco do espírito dos restantes temas do disco...
Pensámos no universo sombrio e vampiresco do Adolfo! O tema acaba por sobressair um pouco em relação aos outros porque é ele a voz principal. Mas no final está lá o nosso coro quando cantamos “muito sangue”! (risos) Esta música acaba por ir ao encontro do nosso desejo de ter mais diversidade em relação ao primeiro disco.
“Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas” segue a linha politicamente incorrecta do disco de estreia. O humor continua a ser a vossa principal arma?
O humor, o sarcasmo e a ironia! Mas, de certa forma, este trabalho é mais sincero que o primeiro disco. É mais pensado e há lá alguns momentos em que não estamos a ser irónicos nem sarcásticos. Estamos a falar a sério mas só nós é que sabemos! (risos)
Por vezes a fronteira entre o bom humor e o ridículo é muito ténue. Os Smix Smox Smux têm noção até onde podem ir?
É um degrau! (risos) Não temos muito a noção da fronteira. Preferimos arriscar e depois as pessoas dão-nos o feedback. Mas o que dizemos sai-nos do coração!
Musicalmente este disco é um pouco diferente do disco de estreia...
Sim, tivemos a preocupação de tentar melhorar aquilo que já tínhamos feito. No primeiro disco pegámos naquilo que fizemos nos ensaios e levámos para o estúdio. Era esse o propósito. Agora chegámos ao estúdio e gravámos as partes básicas do baixo, guitarra e bateria e perdemos muito mais tempo com teclados e outros pormenores.
Que música portuguesa têm ouvido?
Guta Naki, Os Golpes e, apesar de não ser recente, Foge Foge Bandido. Por questões geográficas, por sermos de Braga, ouvimos algumas bandas locais. Long Way To Alaska, Utter, peixe:avião. Há muita qualidade na música portuguesa e há bandas muito boas a surgir e a cantar em português!
Hugo Amaral / o lado p