
"Song of Distance" é o segundo registo longa duração de Mazgani e sucessor de "Song of a New Heart", obra que em 2007 deu a conhecer o luso iraniano ao mundo. Gravado longe do rebuliço da urbe sob produção de Pedro Gonçalves, a metade dos Dead Combo, este disco segue as orientações deixadas pelo disco de estreia e eleva o estatuto de Shahryar Mazgani dentro de um punhado de grandes escritores de canções que a música portuguesa conheceu nos últimos tempos.
Mazgani é um homem de muitos heróis. Entre eles contam-se Tom Waits, Leonard Cohen, Bob Dylan e Johnny Cash. Figuras ímpares que o artista faz questão de assumir enquanto influências incontornáveis no fabrico das suas canções apaixonadas pela América. De Vila Velha de Ródão [onde foi gravado o disco] a Nashville e Memphis é um instante. E aqui, a distância é um elemento meramente decorativo.
"Song of Distance" é um disco intenso que respira o lamento dos instrumentos e da voz que Mazgani resgatou às entranhas do diabo quando canta as histórias de amores perdidos. Temas como "Beggar's Hands", "Mercy", "Slaughterhouse of Love" ou "The River of Lions" merecem destaque óbvio embora vivam assombradas pelo ep "Tell the People" anteriormente editado e que em "Song of Distance" aparece como um extra.
É aqui que a música de Shahryar Mazgani se liberta da intimidade para se tornar ousada e carnívora. Houvessem mais momentos destes e "Song of Distance" seria um disco ainda mais rico.
Hugo Amaral / o lado p