"Pesadelo em Peluche" - Mão Morta

Os Mão Morta voltaram a passar na rádio. A culpa é de "Pesadelo em Peluche". O disco nasce da ressaca da comemoração dos 25 anos de carreira dos Mão Morta e desvia a banda por caminhos menos conceptuais. No fundo afasta-os da conjuntura que definiu as feituras de "Nus" e "Maldoror". Inspirado na obra "A Feira de Atrocidades" de J.G. Ballard, "Pesadelo em Peluche" marca o regresso dos Mão Morta a um formato mais convencional, com temas simples, directos e de digestão mais fácil.
Este será porventura um dos discos mais pop de sempre de Adolfo Luxúria Canibal e companhia. Uma espécie de reinvenção que em nada belisca a identidade e o percurso ímpar da banda bracarense. E a prova de como os Mão Morta podem soar a um estranho verão descomprometido em "Estância Balnear" ou arrancar para um cortejo carnal dançante em "Metalcarne", qual "Crash" revisitado. O resto é feito de histórias de conspirações, mortes, sexo e vampiros sussurradas pelo melhor sarcasmo de Adolfo. Com as rotações no máximo. Sempre a rock n'rollar.

Hugo Amaral / o lado p