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Discurso Directo: Iconoclasts
“Mt. Erikson”, o primeiro disco dos Iconoclasts, marca a estreia da banda depois de vencerem o festival Termómetro e serem chamados à compilação de novos talentos da FNAC. Em ano de crise, os Iconoclasts não destroem ícones nem assumem radicalismos mas partem à luta pela música portuguesa.
Entende-se por iconoclasta alguém que destrói ícones religiosos ou, por extensão, acaba com dogmas e convenções estabelecidas. Em que medida é que esta definição pode caber no conceito da banda?
Não é uma coisa que seja cem por cento a identidade da banda. De certeza que vamos lá buscar alguma coisa e que tentamos não fazer aquilo que já toda a gente fez antes mas não levamos essa ideia ao extremo.
“Mt. Erikson” saiu num contexto de crise bastante séria em Portugal. Só isso já é um desafio e a prova de que já não é tão difícil lançar um disco...
Nós queríamos fazer e editar este disco independentemente do contexto de crise ou de falta de apoios. Tínhamos de o fazer e tentámos arranjar maneira de o fazer. Tivemos a ajuda do festival Termómetro que foi muito útil e permitiu-nos ter uma edição um pouco mais alargada do que a que teríamos se fosse feita por nós. Mas mesmo se não tivéssemos tido esse apoio, editaríamos o disco à mesma!
Numa entrevista recente dizem que “Mt. Erikson”, comparado com o ep anteriormente editado, é um registo mais escuro. Como assim?
A nível de temática é um disco mais desenvolvido, mais sério e maduro. Em termos de sonoridade também. É um disco que a nível instrumental reflecte alguma maturação que nós tivemos. Entre o ep e o álbum passaram dois anos e as pessoas ouvem coisas diferentes e procuram estilos diferentes. Não somos as mesmas pessoas e o disco reflecte isso. Se passados dois anos tens exactamente as mesmas coisas para dizer e as fazes da mesma maneira, isso não é desejável.
“Mt Erikson” fala do processo de crescimento na adolescência e todos os erros nela cometidos. É uma visão pessimista?
Não necessariamente! O processo de crescimento é duro, magoa mas depois compensa. Aprende-se com isso e fica-se melhor com isso! Crescer é uma coisa boa, mesmo que se façam erros.
Por falar em crescimento, os Iconoclasts começaram por ser só dois elementos. Nessa altura já tinham algo delineado para o futuro da banda? A chegada de mais quatro elementos foi pensada?
Começámos por ser duas pessoas mas o intuito nunca foi esse. A chegada das outras pessoas foi um processo duro, um pouco como o crescimento! Quisemos que a banda fosse constituída por músicos que tivessem algo a ver connosco. Se calhar nunca foi o intuito sermos tantos mas o caminho levou-nos aqui e está toda a gente satisfeita. À medida que fomos incorporando as pessoas pensámos que tínhamos o número mínimo para fazer aquilo que queríamos fazer.
Vencer o festival Termómetro e entrar na compilação de novos talentos da FNAC é um sinal de que estão a ir no caminho certo?
Ajudou, sem dúvida! Em Portugal são dois indicadores fortes de que uma banda está a conseguir chegar a algum lado. Não nos queremos limitar só a isso. Foi um bom começo porque são boas ferramentas de divulgação mas não achamos que somos subitamente conhecidos só porque nos aconteceu isso. Sem dúvida que são boas maneiras para chegar às pessoas que querem ouvir a nossa música.
Comparar os Iconoclasts com bandas tão importantes como Pixies, Sonic Youth ou My Bloody Valentine dá-vos uma responsabilidade maior?
Não é uma comparação, de todo. São bandas que gostamos de ouvir e que achamos que de certo modo contribuíram para a nossa música. São referências e elas são importantes para ajudar a contextualizar a música quando alguém não conhece a banda. Por isso uma pessoa que gosta de Pixies vai querer explorar a música que foi influenciada por eles. Hoje em dia é difícil ser o inicio da linha em quer que seja. O importante é tentar fazer alguma coisa que nos soe bem sem ser derivativo. Claro que cada um de nós vai ouvindo coisas diferentes e isso faz com que tenhas noção do que é que soa bem.
E é difícil chegar a um consenso...
Sim, somos seis pessoas e até para tomar decisões logísticas não é fácil. Num mundo perfeito nós preferimos não ter de usar influências. Se pudéssemos, preferíamos não dizer às pessoas que somos uma banda rock, indie, alternativa, ou seja o que for. Esse tipo de tags são redutores.
Que bandas portuguesas têm ouvido ultimamente?
PAUS! O disco está impressionante e será um dos melhores discos do ano. Linda Martini que é uma das bandas mais importantes pelo que fizeram pelo rock português, Throes + The Shine, que é uma colaboração entre uma banda de rock/hardore e outra de kuduro! Temos seguido a carreira dos Aquaparque e do Pedro Magina. O disco dos Lacraus também está muito bom! Moullinex e We Trust têm coisas interessantes.
Hugo Amaral / o lado p
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